É assim que tudo parece para mim, é assim que eu enxergo tudo: uma enorme linha preta seguida de um branco sem brilho, sem vida; apagado. Sem fim. Sem começo. Só um meio grande e confuso, onde nada se encontra, nada se tem, nada se procura. Onde nada me pertence, nada é nosso de verdade.
Eu sou o branco; você é o preto. Você vive, eu morro. Você sorri e eu choro. Isso te lembra alguma coisa? Algum dia de centenas que tivemos?
Mas a listra sem fim é, por lados, melhor que o xadrez. Ele te deixa perdido. Quantas linhas existem em um quadrado desses, mesmo? 8? 10? Todas ligadas em uma só.
E quanto mais você tenta contá-las ou separá-las, mais perdido você vai ficando. Porque as linhas simplesmente se desfazem e se entrelaçam em você, e qual é o seu lugar? No meio do quadrado. Amarrado, preso. O xadrez é assim: não dá pra escapar.
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