Nós não somos a geração perdida. Somos a geração que perdeu. Filhos do talvez, criados pela incerteza, a caminho do “quem sabe”. Somos feitos de perguntas sem respostas, vivemos sem destino certo. Para nós não existe o “american dream”, ninguém sonhou “o sonho” que vai mudar o futuro da nossa humanidade, a esperança não é a última que morre, ela já escapou da caixa de Pandora alguns anos atrás. Ninguém escreve canções sobre “a paz e o amor” para a nossa geração. E as guerras que a nossa geração presencia não buscam um futuro melhor, não pregam a mentira de uma ilustre jornada pela igualdade e avisam logo de cara: “matamos pelo lucro e ele vai ficar na mão de poucos”. Seguimos sem saber o que buscar, nossos “heróis” fazem o que fazem pela fama. Tudo É o que parece ser. Não temos a promessa de um futuro sem problemas, não nos deram a chance de pensar em nossas futuras famílias, para nós sobrou a terra à beira da extinção, um mundo em colapso e uma arte sem muito sentido.
Geração fast food, fast love, fast life.
Nada vem para ficar, nada é construído em concreto, tudo é frágil e questionável. Não há uma verdade suprema em nossas vidas, uma só crença, uma só voz… Há a contradição de uma geração que não sabe o seu nome e a que veio. A nossa geração não sai às ruas para questionar, ela aceita de cabeça baixa o seu destino e definha ao poucos embaixo da luz fria e artificial de escritórios pré-fabricados. A nossa vida foi pré-fabricada. Nossas amizades são construídas em páginas de relacionamentos na internet. Mandamos um abraço virtual e uma caixa de chocolates que não existe quando sentimos falta de um amigo. A nossa geração não aprende a cozinhar, ela compra refeições de microondas cheias de conservantes e sabores artificiais. Não nos deixaram conhecer o verdadeiro sabor das coisas. Não nos deram a chance de tentar, de empreender, de cultivar. Não pensaram no nosso futuro. Vivemos na angústia de aguardar o resultado de uma cirurgia arriscada que nunca chega ao fim. Ficamos ali na sala de espera do hospital: ele sobreviverá? Não sabemos. Seguimos sem previsões, sem terra firme para pisar, construímos nossas bases em cima de uma corda bamba. Não deixaram a nossa geração sonhar. Somos a geração que vive de segundos de felicidade diante de uma vida feita de medos, inseguranças, desempregos, violência e desesperança.
Para nós sobrou a depressão da mente e do mundo.
Aquecimento global; colapso econômico; camada de ozônio; ódio de classes, de nacionalidades, de cores, de iguais, de religião; miséria mundial; a guerra contra o terrorismo de não ser o dono do petróleo…
O que vocês fizeram com o nosso mundo? O que vocês fizeram com o nosso futuro? Por que não pensaram em nós? Somos filhos de pais separados, a árvore genealógica da nossa geração cresce para os lados. Não acreditamos em valores, em caráter, em nobreza de espírito, amor verdadeiro ou fidelidade. Mataram a nossa ingenuidade, mataram o nosso amor fraternal, e não nos deram nenhum sentimento nobre em troca. E para os poucos que se recusam a aceitar, sobram as pequenas felicidades do dia a dia, os segundos de esperança, as pequenas coisas da vida que existem para nos salvar. Para nos libertar da opressão de não saber o seu próprio nome.
Um minuto de silêncio em nome da redenção, para a geração que já perdeu: Nós.
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